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Múcio, o homem com mais de meio século de serviço público

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O agrônomo começou no IPA ainda como estagiário e foi admitido como servidor em janeiro de 1965.

*Por Marcionila Teixeira

Múcio ficou surpreso com a notícia. Aos 79 anos, descobriu, em uma ligação telefônica, mais um título em sua carreira profissional, e do outro lado da linha, sorriu. Múcio de Barros Wanderley, agrônomo formado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) em 1964, é, hoje, o servidor com maior tempo de admissão e de serviços prestados ao Estado de Pernambuco. Seu nome está no quadro do funcionalismo público há nada menos que 55 anos.

Na ficha da Secretaria de Administração consta a data de 1º de janeiro de 1965 como a da sua contratação. Mas ele contesta. A rigor, explica, entrou no Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) em janeiro de 1962. Na época, atuando como auxiliar acadêmico, como eram então chamados os estagiários. Se não está em atividade em sua sala no IPA atualmente, é por conta da pandemia do novo coronavírus e o risco imposto pela doença às pessoas com mais de 60 anos de idade. Mas Múcio segue no trabalho remoto em casa.

“Hoje, o funcionário mais antigo do IPA sou eu. Mas não sabia que era o servidor com mais tempo no Estado”, brinca. Há dez anos, o agrônomo já poderia ter se aposentado. “Não quis. E nem quero. Me acho com disposição para trabalhar. Tenho demandas e achei que não estava na hora. Vou para casa fazer o que? Isso saiu da minha cabeça faz tempo”, diz, decidido.

Múcio construiu uma carreira considerada de sucesso no Estado. Ocupou desde o cargo de estagiário até o de presidente do IPA. Hoje, atua como pesquisador socioeconômico, seu campo de estudo há muitos anos. A área analisa os impactos de novas tecnologias na geração de emprego e no aumento de renda, por exemplo. Múcio também foi professor na UFRPE, onde criou a cadeira de estatística experimental para o curso de Agronomia. A maior parte do atual quadro do IPA é formada por ex-alunos seus.

Se agronomia e serviço público mudam vidas, Múcio certamente é um dos personagens dessa mudança. Entre os anos de 1965 e 1970, atuou na estação experimental de Belém de São Francisco, quando então o IPA havia intensificado as pesquisas com sementes de cebola. “Quando cheguei lá, todas as sementes de cebola consumidas por órgãos de governo e produtores eram variedades importadas. Começamos um trabalho de melhoramento genético junto com a Universidade de São Paulo, o que permitiu que o IPA fosse pioneiro em produção de sementes de cebola em clima tropical semiárido”, conta. Antes disso, as sementes eram compradas no exterior e os estudos de melhoramento genético somente aconteciam na região centro sul do país.

Múcio integra uma lista com outros oito nomes de servidores estaduais com datas de admissão mais antigas. O documento foi fornecido pela Secretaria de Administração. O agrônomo ocupa a primeira posição, empatado com a servidora Leônia Rodrigues da Silva, 74 anos, auxiliar de saúde ligada à Secretaria Estadual de Saúde e única mulher da lista. Leônia trabalhou no Hospital São Sebastião, em Caruaru, no Agreste, e atualmente está à disposição no Hospital Municipal Casa de Saúde Bom Jesus, ligado à Prefeitura de Caruaru.

Na mesma lista constam os nomes de Jair Teixeira Pereira, 83, pesquisador do IPA (01/02/1965); Roberto Gilson da Costa Campos, 79, analista de desenvolvimento da Perpart (07/02/1965); Gilson Bandeira Diniz, 73, da Secretaria da Fazenda (01/07/1965); Ricardo Leitão Pimentel, 74, auditor fiscal do tesouro estadual da Secretaria da Fazenda (01/01/1966); Marconi Catulo da Silva Dourado, 73, defensor público do Estado (02/02/1966); Ubaldo Rafael de Barros Nunes, 72, da Secretaria da Fazenda (01/04/1966) e Rogério Maia Guedes, 72, da Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária (24/05/1966).

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