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Sueli e a comunicação pelo Amor

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*Por Marcionila Teixeira

Primeiro havia o amor. E ele pedia reciprocidade. Nos olhares, nos gestos, na fala. No caso de Sueli, o amor surgiu diferente do que um dia ela imaginou ser convencional. Ao parceiro dela, faltava a audição. Só havia um jeito da relação florescer entre ela, ouvinte, e seu pretendente, surdo. Sueli precisava aprender a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Assim ela fez. O casal permaneceu apaixonado por dois anos. Já a paixão de Sueli pela Libras alcançou os 25 anos.

Sueli Cristina dos Santos tem 45 anos. Desde o início da pandemia do novo coronavírus, sua imagem tem aparecido nas coletivas promovidas pelo Governo do Estado no Palácio do Campo das Princesas. Há três anos, ela integra o quadro de servidores do Estado. Tem dois vínculos. É professora intérprete de Libras e instrutora de Libras. Como intérprete, atua em sala de aula no Educação de Jovens e Adultos (EJA). Como instrutora, pode ensinar nas escolas públicas a qualquer pessoa que deseje aprender a língua. Sueli é formada em letras e, em 1997, foi a primeira intérprete de Libras contratada pela Prefeitura do Recife.

A história de Sueli com a Libras começou por um acaso da vida. Muito pobre, morava em Altinho, no interior do Estado. Desde os 10 anos, trabalhava como doméstica e não conseguia avançar nos estudos. Quando completou 19 anos, foi convidada por uma família do município para trabalhar e estudar no Recife. Foi quando se apaixonou pelo irmão da empregadora. “Na época, não havia curso e fui aprendendo na comunidade surda. O tema do meu TCC, inclusive, foi a minha história de amor e minha relação com a comunidade surda.”

Aprender Libras é como aprender qualquer outra língua, diz a servidora. Exige dedicação. O curso básico tem duração de seis meses. O completo, dois anos. O Estado oferece o curso em algumas épocas do ano. Acontecem em escolas públicas. É possível saber da agenda através do site da Secretaria de Educação. Também há aulas no Centro de Apoio ao Surdo, em Casa Amarela.

“A língua faz parte da cultura de um povo. E como eles não conseguem falar com os ouvintes, ficam muito unidos entre si. Nós é que precisamos mergulhar no mundo deles. Temos que ter empatia. Respeitar as diferenças”, diz Sueli. Nos últimos anos, o interesse pelas pessoas em aprender Libras tem crescido por conta das demandas do mercado. Há eventos que exigem a presença do intérprete.

Respeitar as diferenças exige conhecimento. Sueli faz questão de ensinar sobre isso. “Quando você encontrar com uma pessoa surda e não souber se comunicar com a Libras, você pode escrever ou falar pausadamente porque pode ser que o outro consiga fazer leitura labial. Nunca grite. Isso não irá fazer a pessoa lhe escutar.”

Segundo a Associação de Surdos de Pernambuco, o Estado tem 7% de sua população com deficiência auditiva. E cada uma dessas pessoas importa e tem direito de ser incluída. 

:: Marcionila Teixeira é Gerente de Produção de Conteúdo da Secretaria de Imprensa de Pernambuco e editora-titular do Diário Oficial do Estado.

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