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Célio, o homem que desbravou o próprio nome na maturidade

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Servidor público recebeu incentivo da equipe de Recursos Humanos da Secretaria de Administração e voltou à escola para se alfabetizar

* Marcionila Teixeira

Célio Gomes da Silva fazia brotar plantas por onde passava. Tal qual Tistu, do livro O Menino do Dedo Verde. Célio era jardineiro do Palácio do Campo das Princesas, no bairro de Santo Antônio, área central do Recife. Assim ele adentrou no serviço público, há 36 anos. O tempo passou. E Célio deu-se conta da necessidade de entender melhor das letras do que das plantas. Quando criança, teve dificuldades para aprender em uma escola tradicional, igual ao personagem do livro, um clássico escrito em 1957. E virou homem adulto sem saber escrever o próprio nome. Nessa condição, não se percebia como uma pessoa completa. Um dia, quem floresceu foi o próprio Célio. Pelas mãos cuidadosas de outras pessoas.

Célio completou 64 anos. Hoje, integra o quadro da Gerência de Apoio Jurídico aos Processos de Pessoal da Secretaria de Administração (SAD) do Governo de Pernambuco. Atua como auxiliar de gestão pública. Dizem que ele já não é o mesmo homem de antes. Quem diz tem razão. Célio aprendeu a escrever o nome dele aos 58 anos. Foi depois de conhecer Fernanda Almeida, gerente de Recursos Humanos na SAD entre os anos de 2013 e 2019. Ganhou incentivo. E auto-estima.

“Quando eu precisava assinar algum documento, ficava aperreado. Sentia muita vontade de fazer o nome, de assinar. É como se antes de aprender eu não existisse”, raciocina o servidor. A história dele se parece com a de outras crianças brasileiras moradoras do interior. Filho de pais muito pobres e de família numerosa - ele tinha sete irmãos, Célio conta ter recebido incentivo da família para estudar, mas o acesso à escola era difícil por causa da distância. “Era mais ou menos uma hora andando para chegar até a sala de aula. Até fui para a escola, mas o assunto não entrava na minha cabeça. Achava difícil.” E assim ele cresceu.

O papel de Fernanda e equipe foi fundamental no processo de mudança na vida de Célio e de outros nove funcionários da SAD naquela época. Na atuação junto ao RH, ela começou a perceber a presença de pessoas analfabetas ou com dificuldades para escrever, mesmo tendo frequentado a escola. Se informou e descobriu o Programa Paulo Freire - Pernambuco Escolarizado, que alfabetiza jovens a partir de 15 anos, adultos e idosos. O curso dura oito meses.

Fernanda, então, reuniu o grupo e encaminhou os participantes para uma escola pública em Brasília Teimosa, perto da SAD. Dessa forma, alguns eram liberados para participarem das aulas no horário do expediente. Além disso, não tinham custo para se deslocar até a unidade de ensino e as chances de evasão diminuiam. “Célio se destacou durante toda a capacitação porque era muito motivado e carismático. No cargo dele, existe a possibilidade de progredir no salário com as capacitações. Ele terminou sendo um multiplicador da ideia junto a outras pessoas”, comentou Fernanda.

Por conta da pandemia do novo coronavírus, Célio precisou ficar afastado da SAD. Tem ficado em casa no últimos meses, tomando cuidados para não adoecer. Mas ele também tem feito planos. E deve voltar para a escola assim que as aulas forem retomadas. Quer continuar aprendendo. Alimentando sonhos. E florescendo.

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:: O projeto Servidores que Inspiram revela histórias surpreendentes de pessoas que compõem o quadro de funcionários do Governo de Pernambuco. Os textos são publicados no Diário Oficial, todos os sábados, e também podem ser acessados nas redes sociais do Governo de Pernambuco a partir das segundas-feiras.

* Marcionila Teixeira é Gerente de Produção de Conteúdo da Secretaria de Imprensa de Pernambuco e editora do Diário Oficial do Estado.

Assuntos: ServidoresQueInspiram, Sad
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